
Hoje me deu uma vontade de separar as minhas coisas, arrumar as malas, embalar os livros, enfim, me deu uma vontade enorme de seguir viagem para um destino certo e incerto, minha doce Montes Claros.
Nesses meses de campanha eu me peguei, em vários momentos, pensando como seria bom se eu estivesse no meio da bagunça, andando de jeans, tênis e camiseta o dia inteiro, panfletando em cada esquina, participando dos bandeirados, das carreatas, das passeatas, não tendo horário para absolutamente nada e no fim do dia, sentar em um dos vários bares e tomar aquela boa cachaça só pra relaxar.
Eu até havia prometido ir nesse mês para ajudar porem, algumas promessas foram feitas para não serem cumpridas e a vida, sem querer levou o meu barco para um rumo não programado, o rumo da dedicação quase que integral aos meus estudos. Meu lado militante ficou um pouco esquecido, mas sei que são fases e que toda fase tem o seu momento de duração.
O que mais me dói, é não poder abraçar, conversar, beijar e fofocar com alguns amigos queridos que deixei. Uns, continuam presentes e outros, como é o normal, acabaram se afastando um pouco. Até amizades de longa data estremecem um pouco com a distancia imagina então, amizades recém construídas porem, sei que o desejo do reencontro continua vivo dentro de mim e daqueles que fizeram a diferença e que me acolheram com tanto carinho, mostrando um pedaçinho de Minas antes desconhecido e hoje adorado como se fosse a minha segunda casa.
Quando vejo que não posso prever o futuro, vejo também que sou impotente diante de certas situações. Como eu gostaria de ser um pouco mais irresponsável e me entregar nas 11 horas que me separam de tantas alegrias. Ás vezes chego a sonhar com os momentos já vividos e a flutuar em outros que eu poderia viver.
Amigos: perdão por essa vida LOUCA, por não poder jogar tudo para o alto e militar ao lado de vocês, por não poder lançar o meu livro nessa cidade, por não poder cumprir com a minha palavra. A dor que sinto é enorme, mas sei que um dia o reencontro acontecera sempre comemorado e desejado, como os dias perfeitos que pude passar ao lado de todos.
SAUDADES ETERNAS.
´´De poucas certezas e muitas dúvias se faz a vida. De pesada bagagem e leve descanço se fazem as viagens. E mesmo assim teimamos, vivemos,viajamos, desejando sentir não apenas a excitação da partida e a alegria da volta, mas querendo guardar na alma certos tesouros: as fotografias das belas paisagens, as lições aprendidas diariamente, o calor das mãos dos companheiros de jornada. Pois essas são as lembranças que levaremos para sempre. Quentes, suaves, leves, as únicas que nos aqueceram nos dias frios.´´